quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Defensor Público recém-empossado dá exemplo de superação


Descompromisso dá lugar a foco e faz com que Pablo Kraft se torne defensor público do DF
A emoção toma conta de Pablo Kraft, 37 anos, ao contar como foi a jornada para se tornar defensor público do Distrito Federal. Ele passou momentos difíceis e por diversas situações de preconceito por terminar o ensino médio com 26 anos e estagiar – já no curso de direito – com 30, para então alcançar o sonhado cargo de defensor público do DF, ao qual foi empossado em janeiro deste ano.
Criado pela avó até a adolescência, o jovem continuou descompromissado por alguns anos mesmo depois de ir morar com a mãe. Não tinha interesse algum pelos estudos, muito menos vontade de trabalhar. Na época, praticava jiu-jitsu e aproveitava uma “vida boêmia”. Com incentivo da mãe terminou o ensino médio e começou a cursar Direito. Hoje, ele reconhece o valor dos estudos e, principalmente, da dedicação na vida das pessoas.
“Tem um defensor público que foi fundamental para mim e me motivou: André Praxedes, do Núcleo de Brasília. Ele foi meu professor de Direito Penal no segundo semestre da faculdade. Ele contava o papel do defensor, a função de agente de transformação social, de ser a voz de quem não tem voz. Aquilo foi o embrião da minha simpatia e apreço pela Defensoria”, relembra Kraft.
Sete anos atrás, o então estagiário encontrou várias pessoas que o apoiaram e mostraram que nunca é tarde para quem quer mudar de vida. Mas lá, também foi alvo de preconceito por um servidor que fazia piadas que para Pablo não tinham a menor graça. “Ele dizia que eu precisava ter tomado vergonha na cara, e que só assim eu não seria estagiário aos 30 anos de idade”, lembra. “Ele dizia: olha aí, não estudou na hora certa, agora é estagiário”.
Pablo e o filho, hoje com 12 anos, na solenidade de posse

Pablo ouviu também, de um membro da família da esposa, que ele nunca seria capaz de passar em concurso público por ter terminado o ensino médio em supletivo. Mas o episódio mais impactante para ele foi quando o filho, com quatro anos na época, pediu um iogurte e ele teve que negar por não ter dinheiro. “Foi um dos piores dias da minha vida. O meu filho  e minha esposa foram as maiores motivações para superar essa fase de dificuldade financeira e lutar pelo objetivo de ocupar um cargo público e servir a população”.
O agora defensor, compensou toda a bagagem de desinteresse com os estudos lendo bastante, fazendo cursos e estudando muito. “Aquilo ficou na minha cabeça e eu catalisei esses acontecimentos e usei como combustível diário para superar as dificuldades”.
Um fator decisivo na carreira e na vida pessoal de Kraft foi o primeiro emprego público que ocupou, entre 2010 e 2012. Era agente administrativo da Defensoria Pública da União (DPU), que apesar de cuidar de assuntos diferentes e não ter vínculo com as Defensorias de estado, tem uma missão social semelhante: oferecer assistência jurídica gratuita e de qualidade aos cidadãos mais necessitados.
“Lá eu me deparei com o universo da Defensoria. Eu fazia carga de processos, buscava e distribuía para os defensores. O que fez eu me envolver foi ver a vontade deles em ajudar a população carente. Eu acompanhava o sofrimento da população de perto e isso me comovia”, explicou.
Além disso, a mãe de Pablo, que era empresária, passou por uma grave crise financeira o que acarretou em depressão e uma doença no fígado. Somado a isso, durante o período em que ele trabalhou na DPU, o auxílio-doença da mãe foi cortado, com a alegação de que ela estaria apta a voltar ao trabalho. E foi justamente o local de trabalho de Kraft que conseguiu reverter essa situação. O auxílio foi restabelecido e, posteriormente, a aposentadoria da mãe foi liberada. Nesse momento, a admiração começou a se transformar em gratidão.
O acontecimento mais marcante que envolve a Defensoria Pública do DF também foi vivido com a mãe. Em 2013, ela necessitou de um leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Foi a Defensoria Pública do DF que nos socorreu. Em menos de 48 horas depois que eu fui à Defensoria minha mãe já estava internada. Foi nesse ponto que eu me apaixonei mais pela instituição”, lembra com lágrimas nos olhos.
Aqui é importante destacar que todo o trâmite para conseguir o leito de UTI para a mãe, ocorreu entre a primeira e a segunda fase do concurso que o tornou defensor – período de aproximadamente dois meses. Ele não se preparou para a segunda fase como queria porque visitava a mãe todos os dias na UTI. “Fiquei sem estrutura psicológica para focar nos estudos”. A mãe do defensor chegou a voltar para a internação normal, mas faleceu cerca de dez dias antes da segunda prova do filho e não pôde vê-lo passar nas outras fases. Porém, todo o esforço para que Pablo vencesse valeu a pena.
Agora, defensor público, atua no Núcleo de Assistência Jurídica de Santa Maria, trabalha com o que gosta, coleciona amigos pessoais que já foram chefes e diz querer crescer na instituição, mas não se vê em outro órgão. “A Defensoria foi o lugar que eu escolhi e pretendo ficar até o fim da minha carreira”, afirma.
Fonte: Dávini Ribeiro da Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública do DF

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